Copacabana, 3 da tarde num dia de dezembro. Mais especificamente, ontem mesmo. O velho bordão CALORDAPORRA não poderia ser melhor aplicado do que em tal momento.
Saio do médico, onde havia ido investigar o insuportável zumbido no ouvido esquerdo que me atormenta há quase um mês - digno de um futuro post só pra ele - e ando até a esquina, para pegar um táxi.
Nisso, trimtrim, mensagem de texto. Saco o celular do bolso, abro o SMS e, como aqueles gadgets mensageiros high-tech de filmes como 007 ou missão impossível, o aparelho DESAPARECE da minha mão. Assim mesmo, PUFF! Passe de mágica.
Lumière fez muito bom uso do fato de nosso cérebro levar alguns milissegundos para processar uma imagem. Sentindo-me entre um frame e outro, levei esses milissegundos pra sacar que estava olhando pros meus dedos vazios, e não mais para um telefone celular.
- Caralho, eu sou mágico! - Pensei, já imaginando as consequências disso em toda a sociedade, o sigilo que deveria acompanhar a descoberta, como eu encontraria outros mágicos de verdade pelo mundo e juntos salvaríamos a humanidade....
O segundo seguinte serviu para tirar o HEROES trip da minha cabeça e me fazer entender que a rápida imagem borrada e fora de foco que quase não vi passar na minha frente era um ladrão em uma bicicleta.
FDP! Ainda deu um sorrisinho?!? Ah, não... Tô gordo, mas eu eu pego. Saí em disparada atrás do cara, que se assustou com a minha reação e deu umas pedaladas mais fortes, meio deseajeitadas, Rodolfo Dantas abaixo.
- PEGA! PEGA! - gritava com sei-lá-que-fôlego, enquanto empreendia meu primeiro sprint em sei lá quantos anos, pelo meio da rua mesmo.
Um bom samaritano com o mesmo tipão do Sérgio Loroza (big, very very big) se meteu na frente do ladrão, facilitando minha chegada e, num duplo-trombadão-adiposo, o moleque voou da bicicleta, espatifando-se no asfalto.
- Perdi, perdi! Tá aqui, deixa eu ir! - implorou o descamisado e agora ralado meliante. Dando-lhe um senhor pisão no ombro com meus muitos quilos a mais, travei ele no chão, junto com o bom samaritano, e disse:
- Você perdeu foi o Natal, seu merda.
Minha vontade, naquele momento, era de enfiar o bico do sapato entre os dentes da frente do sujeito, como se não houvesse amanhã. Mas já tinha gente demais em volta e ia acabar dando merda... Vocês sabem, sempre tem alguém pra garantir os "direitos humanos" dos bandidos.
Logo atrás vinha uma viatura da PM, que conduziu o ladrão para a delegacia. Eu fui na viatura seguinte, e fiz questão de registrar ocorrência e vê-lo sendo preso. Na pior das hipóteses, ele passa o natal na cadeia e pensa duas vezes antes de roubar em véspera de feriado de novo. Se tudo der certo, é menos um ladrão pra afungentar nossos turistas este verão.
E, assim, já posso me dizer um legítimo carioca... Sim, eu já fui assaltado!